Banco Central volta a elevar Selic, para 6,25%, diante da alta inflação

O Banco Central (BC) do Brasil aumentou nesta quarta-feira (22) mais uma vez a Selic, a taxa básica de juros, em um ponto percentual, para 6,25%, diante da “elevada” inflação no país.

Em linha com as expectativas do mercado, a alta decidida pelo Conselho de Política Monetária (Copom) é a quinta consecutiva na taxa Selic este ano e a segunda dessa magnitude após o aumento de agosto.

A autoridade monetária começou a elevar as taxas em março, deixando para trás a mínima histórica de 2% em que se situava a Selic desde agosto de 2020 para impulsionar a economia, afetada pela pandemia.

E vai continuar assim: “Para a próxima reunião, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude”, afirmou o Copom em comunicado divulgado ao fim do encontro de dois dias.

“A inflação ao consumidor segue elevada”, disse o BC, destacando pressões sobre alimentos, combustíveis e, principalmente, energia elétrica, que refletem fatores como “câmbio, preços de commodities e condições climáticas desfavoráveis”.

O reajuste das taxas foi progressivo em função do aumento da inflação, que em agosto atingiu 9,68% em 12 meses.

A decisão coincide com a média esperada por consultorias e instituições financeiras. Alguns apostavam em um aumento ainda maior, de 1,25%.

Antes da reunião, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, havia garantido que a instituição tinha um horizonte de mais longo prazo, e não iria “reagir sempre a dados de alta frequência”, como o indicador mensal de inflação.

A expectativa do mercado para a Selic é de alta de até 8% neste ano, segundo dados divulgados na pesquisa Focus, publicada pelo BC.

Até o final do ano, o aumento dos preços para o consumidor deve chegar a 8,35%, de acordo com a Focus, uma estimativa que está bem acima da meta oficial de inflação de 3,75% e do teto de 5,25%.

Alguns economistas, porém, alertam que as taxas elevadas podem prejudicar a recuperação econômica.

O crescimento previsto para este ano gira em torno de 5%, e de 1,6% após as revisões para baixo para o próximo ano, quando o efeito diferido das taxas será mais perceptível.

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