Florianópolis contrata três empresas privadas para coleta de lixo

Elas irão realizar o trabalho em quase toda Capital, por pelo menos cinco dias, para suprir a ausência da Comcap, que os funcionários estão em greve desde a terça-feira (21)

Três empresas contratadas pela prefeitura de Florianópolis, por meio de chamada pública, iniciam na manhã desta quinta-feira (23) a coleta de lixo em substituição ao serviço realizado pela Comcap (Autarquia de Melhoramentos da Capital).

No início deste ano, Florianópolis adotou a mesma medida e contratou uma empresa privada para coleta de lixo emergencial – Foto: Cristiano Andujar/PMF/DIvulgação/ND

No início deste ano, Florianópolis adotou a mesma medida e contratou uma empresa privada para coleta de lixo emergencial 

As empresas executarão o trabalho na cidade nos próximos cinco dias, enquanto os servidores da autarquia mantiverem a greve. Na tarde de ontem, o desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Sérgio Roberto Baasch Luz, decretou a greve dos trabalhadores da Comcap, iniciada na última terça-feira (21), como ilegal.

Segundo o prefeito Gean Loureiro (DEM), a administração municipal entendeu que os trabalhadores orientados pelo Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis) não deverão obedecer, de imediato, a decisão judicial e, por isso, houve a necessidade de um contrato emergencial para fazer a coleta de lixo na Capital.]​​​​​​​

“Se o sindicato retornar, imediatamente, a atividade não tem porque contratar. Mas eu não vou deixar a cidade sem a coleta de lixo aguardando uma decisão sindical que pode demorar dias. A Justiça amplia a multa, determina responsabilidade solidária dos dirigentes, eles continuam, para eles não tem decisão judicial. O cidadão comum quando tem a decisão ele tem obrigação de cumprir, a prefeitura também, o sindicato acha que está acima da lei”, afirmou Gean Loureiro.

O prefeito voltou a reforçar que a prefeitura vai aplicar descontos salariais aos grevistas a partir de hoje, quando o município fecha a folha de pagamento dos funcionários. A administração municipal iniciou também o processo de abandono de emprego contra quem aderiu ao movimento grevista.

Foi dado um prazo até as 18 horas desta quarta-feira (22) para os servidores que queriam retornar ao trabalho comunicar o desejo à secretaria do Meio Ambiente.

“Eu não vou deixar a cidade sem a coleta de lixo”, disse Gean Loureiro – Foto: Leo Munhoz/ND

“Eu não vou deixar a cidade sem a coleta de lixo”, disse Gean Loureiro 

“Já avisamos aos trabalhadores que desejam trabalhar que podem voltar a empresa que não terão o desconto do dia parado. Agora aqueles que caírem no conto do sindicato e cruzarem os braços, nós vamos descontar os dias parados e nós vamos abri processo pro abandono de emprego”, alertou.

“A expectativa normal seria o sindicato cumprir a determinação judicial. Voltar ao trabalho para não ter o desconto dos dias parados, a multa sindical. Conhecendo a postura deles, não vão cumprir a decisão judicial”, emendou Loureiro.

Empresas no trabalho emergencial

A administração municipal sustentou que a cidade não poderia ficar sem o serviço público de coleta de lixo e com isso, tomou as providências necessárias para que empresas privadas possam atender nos locais onde estiverem as atividades paralisadas pela Comcap.

Em janeiro deste ano, durante a greve dos funcionários da autarquia, que durou 14 dias, a prefeitura adotou a mesma postura e contratou uma empresa para atender toda a cidade de Florianópolis.

Prefeitura diz que empresa terceirizada continuará com coleta no Norte e no Continente – Foto: Leo Munhoz/ND

Prefeitura diz que empresa terceirizada continuará com coleta no Norte e no Continente

De acordo com a prefeitura, apenas o Norte da Ilha e o Continente não serão atendidos nesse contrato emergencial, já que o serviço vem sendo executado e continuará com a empresa Amazon Fort.

O prefeito avisou que o edital de licitação lançado na segunda-feira (20) para contratação de empresas para prestação do serviço de coleta de resíduos sólidos urbanos (fração rejeito) e de coleta especial está mantido. O processo licitatório está dividido em dois lotes no valor total da contratação de R$ 49.529.673,57. A duração do contrato é de 12 meses.

Segundo Gean Loureiro, os funcionários da Comcap têm garantia dos seus empregos e não podem apenas acreditar no que diz o sindicato. O prefeito disse ainda que mesmo com a concessão dos serviços de coleta de resíduos sólidos e coleta especial à iniciativa privada, os servidores da Comcap continuarão nos trabalhos de coletas seletiva, de verde, de vidros e em outras atividades de limpeza pública, que irão continuar com a autarquia.

“Não terá nenhum prejuízo pessoal como o sindicato diz aos empregados da empresa. Eles têm garantia dos seus empregos”, frisou Loureiro.

Justiça decreta greve como ilegal

O movimento grevista de funcionários da Comcap sofreu uma derrota na tarde de ontem. O desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Sérgio Roberto Baasch Luz, decretou como ilegal a greve iniciada na última terça-feira (21).

A decisão judicial determina o restabelecimento integral de todos os serviços públicos atingidos pela paralisação; que o Sintrasem e seus integrantes se abstenham, por qualquer forma, de tumultuar o regular desenvolvimento do serviço público municipal; de constranger servidores ou empregados que não aderiram à greve; além disso observar uma distância mínima de 200 metros dos imóveis públicos para qualquer atividade do movimento paredista.

O desembargador também autorizou o desconto nos vencimentos dos dias sem trabalho efetivo e a multa diária no valor de R$ 100 mil para o caso de descumprimento da decisão.

O magistrado atendeu a uma ação declaratória de ilegalidade pedida pela procuradoria geral do Município contra o Sintrasem na qual alegou que o sindicato iniciou a paralisação sem qualquer negociação prévia com o Município, ignorando as diretrizes e requisitos estabelecidos na lei.

Protesto de servidores da Comcap terminou em confronto nesta terça-feira – Foto: Leo Munhoz/ND

Protesto de servidores da Comcap terminou em confronto nesta terça-feira 

Defendeu ainda que não houve comunicação com antecedência mínima de 72 horas acerca da efetiva deflagração da greve, considerando que os serviços realizados pela Comcap são caracterizados como essenciais. Esclareceu que tomou conhecimento do fato por meio de publicação da notícia em redes sociais do Sintrasem, e apenas posteriormente o sindicato enviou ofícios informando da deliberação acerca da paralisação total das atividades do serviço essencial de coleta.

O Sintrasem tem 15 dias para recorrer da decisão. O sindicato marcou para a manhã de hoje, uma nova assembleia para avaliar toda a discussão da greve e também os rumos do movimento.

Movimento Floripa Sustentável

O movimento Floripa Sustentável, formado por 45 entidades representativas da comunidade catarinense, emitiu um manifesto de repúdio contra o Sintrasem em virtude do início da greve dos funcionários da Comcap.

No manifesto, a entidade diz que são inúmeras greves, obstruções e paralisações de transporte coletivo, aulas e coleta de lixo na Capital catarinense “promovidas por uma elite sindical – e a cidade já está cansada de dizer basta”, pontua a entidade no trecho do documento.

Reforçou ainda que a prefeitura e Câmara Municipal e os demais poderes constituídos contam com o apoio de todas as entidades que com

Adicionar aos favoritos o Link permanente.

Os comentários estão desativados.