FBI libera documento secreto sobre atentados

 

Washington – O FBI liberou os primeiros documentos ainda secretos ligados à investigação dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Publicado na íntegra pelo jornal britânico The Guardian, um relatório confirma a investigação sobre sauditas suspeitos de oferecer apoio logístico a dois sequestradores dos aviões que foram jogados contra o World Trade Center e o Pentágono. O documento não aponta, porém, evidências de um envolvimento oficial do governo daquele país no atentado. A ordem para a liberação partiu do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

 

O memorando, datado de 2016, que foi liberado na noite de sábado, 20 anos depois dos atentados, descreve testemunhas e mostra suspeitas a respeito de três sauditas que teriam mantido contato com o Consulado da Arábia Saudita em Los Angeles e ajudado na logística dos ataques. Um deles é Omar al-Bayoumi, que era supostamente um estudante saudita em Los Angeles na época dos atentados. O documento descreve registros telefônicos que poderiam conectá-lo a um associado de Osama Bin Laden.

 

Omar al-Bayoumi teria se hospedado em um hotel na Califórnia um mês antes da chegada de dois homens que sequestraram aviões na época. Ele estaria com um outro homem cujo número de telefone se liga a um conselheiro espiritual de um tenente de Bin Laden, conforme as investigações.

 

O FBI suspeitava que Bayoumi fosse um agente da Inteligência saudita. O relatório aponta que ele deu apoio logístico a pelo menos dois dos homens que sequestraram quatro aviões no 11 de Setembro, como por exemplo o fornecimento de “assistência em viagens, hospedagem e financiamento”. Baseado em entrevistas feitas em 2009 e 2015 com uma fonte não revelada, o documento fala do encontro de Bayoumi com dois sequestradores. Não há registros sobre o que aconteceu com o saudita após as investigações americanas.

 

Em um comunicado, o 9/11 Families United, um grupo que representa as famílias das vítimas do ataque terrorista, disse que a divulgação do memorando “põe abaixo todas as dúvidas sobre a cumplicidade saudita nos ataques”. No passado, os advogados das famílias das vítimas argumentaram que homens sauditas forneceram apoio a dois dos sequestradores em “operação secreta altamente coordenada, administrada e iniciada pelo Estado” e apresentaram declarações juramentadas no processo judicial escrito por ex-funcionários do FBI em últimos anos apoiando essa afirmação.

 

A agência já havia se recusado a divulgar os documentos, citando interesses de segurança nacional. No início do mês, porém, Biden ordenou que o Departamento de Justiça considerasse a divulgação de materiais dos arquivos do caso do FBI.

 

Apesar de 15 dos 19 terroristas da al-Qaeda que perpetraram os atentados serem sauditas, o governo americano sempre negou a participação direta do governo da Arábia Saudita, um de seus principais aliados no Oriente Médio. A extensão do envolvimento de Riad permanece sendo a grande lacuna na investigação do ataque há 20 anos. Bin Laden, o chefe da al-Qaeda, também era saudita. Ele recebeu apoio de autoridades do seu país e dos Estados Unidos quando estava lutando contra a ocupação soviética do Afeganistão, nos anos 1980.

 

A Arábia Saudita afirma que não teve nenhum papel nos ataques. Em um comunicado divulgado em 8 de setembro, a embaixada saudita em Washington disse que o país sempre defendeu a transparência em torno dos eventos de 11 de setembro de 2001 e saúda a divulgação pelos EUA de documentos confidenciais relacionados aos ataques.

 

 

Memória
Ataques em série

 

Os ataques de 11 de setembro de 2001 foram coordenados pela Al-Qaeda, que jogou dois aviões de passageiros contra as Torres Gêmeas, em Nova York, e um terceiro contra o Pentágono, em Washington. Uma quarta aeronave caiu em um campo aberto na Pensilvânia após resistência de passageiros e tripulantes contra os sequestradores. Quase 3 mil pessoas morreram, o que acabou motivando a invasão do Afeganistão pelos EUA. O país era governado pelo Talibã, a quem a Casa Branca acusava de dar proteção a Bin Laden, mentor dos ataques e que seria morto em maio de 2011, no Paquistão. Com o fim da intervenção americana, o Afeganistão voltou a ser comandado pelo Talibã em agosto passado. 

 

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