Economia SC Drops: Como a modernização da iluminação pública torna cidades mais sustentáveis

Segundo a Associação Brasileira das Concessionárias de Iluminação Pública (ABCIP), o país conta com cerca de 18 milhões de pontos de iluminação pública, dos quais, a maioria é composta por lâmpadas poluentes.

Porém, um projeto está modernizando essa realidade e substituindo as lâmpadas de vapor metálico por modelos com tecnologia LED, tornando a iluminação pública mais sustentável.

Cidades como Florianópolis, São José, São Francisco, Joinville, Blumenau e Indaial já passaram por essa modernização, a partir do consórcio SQE Luz. Já foram mais de 20 mil lâmpadas trocadas, trazendo benefícios aos municípios e ao meio ambiente.

O Economia SC Drops de hoje conversa com o engenheiro eletricista Gilberto Vieira, CEO da Quantum Engenharia e diretor do consórcio SQE Luz, para saber mais dessa iniciativa. Confira abaixo:

Como é o projeto da modernização da iluminação pública em Santa Catarina?

Gilberto: Os projetos atuais buscam trocar as lâmpadas de descarga, que são ultrapassadas, por luminárias com lâmpadas de LED. Também ter mais controle sobre o parque instalado através da tele gestão, apesar de este movimento ainda está no início.

Quais benefícios essas mudanças trarão para as cidades e para a população?

Gilberto: As mudanças trazem uma série de benefícios: um deles é o embelezamento da cidade e o maior conforto visual, isso porque enquanto as lâmpadas antigas emitem luz amarelada com índice de 20% de reprodução das cores, as de LED entregam índice acima de 70% e luz branca. Isso estimula a vida noturna, o esporte, o comércio e o turismo. Outra vantagem é a economia: as lâmpadas de LED consomem cerca de 60% menos energia.  A durabilidade também é maior, elas podem durar mais que o dobro do tempo de uma lâmpada de sódio, o que significa mais de 11 anos de uso sem necessidade de troca, o que reduz a produção de lixo pelo município. As lâmpadas de LED também suportam melhor as condições bruscas de tempo e temperatura, sendo mais resistentes a choques, vibrações e impactos externos. Ou seja, a necessidade de manutenção é bem menor do que no sistema antigo, o que também gera economia financeira ao município. Ambientalmente falando, não contém metais pesados como as lâmpadas convencionais. Os sistemas de telegestão trarão ainda mais economia e excelência nos serviços.

Como está o andamento da modernização? Quais as próximas etapas?

Gilberto: As modernizações variam de Município para Município, de acordo com o tamanho e orçamento de cada um. Mas pode-se dizer que dentro de 10 anos praticamente todos eles funcionarão com luminárias de LED.

Como essa mudança interfere no descarte das lâmpadas antigas? Quais cuidados são necessários para o descarte correto e por que ele deve ser seguido?

Gilberto: Por serem mais eficientes, as lâmpadas LED, ajudam a reduzir o consumo de energia, a manutenção e o impacto ambiental. Porém, a mudança em massa para essa nova tecnologia gera a necessidade de um mapeamento de todo o processo para gestão dos resíduos. Por isso a importância da logística reversa, utilizada pelas empresas. O objetivo dessa prática é recuperar valor em produtos e materiais descartados, trazendo-os de volta ao ciclo produtivo para o reuso, reciclagem, redução ou até mesmo descontaminação, aplicando a destinação final dos resíduos de maneira segura e ambientalmente correta. Os municípios precisam contratar empresas especializadas para descontaminação das lâmpadas da iluminação pública ao fim da vida útil, garantindo que não sejam descartadas em lixões ou aterros sanitários.

No que a modernização contribui para o meio ambiente? 

Gilberto: O sistema antigo era composto por lâmpadas de descarga, que são prejudiciais, pois possuem metais pesados em sua composição e não podem ser descartados de qualquer maneira. A luminária LED, por outro lado, possui componentes totalmente recicláveis. Outra contribuição é a redução na produção de lixo, já que a  durabilidade é duas vezes maior do que uma lâmpada de sódio, o que significa mais de 11 anos de uso sem necessidade de troca.

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