Papa pede ‘integração’ em visita a um bairro de ciganos na Eslováquia

O papa Francisco reivindicou, nesta terça-feira (14), a “integração” dos ciganos e lembrou que “marginalizar as pessoas não resolve nada”, em um encontro com a comunidade cigana de um bairro marginalizado da cidade eslovaca de Kosice.

Nas semanas anteriores à esperada visita do pontífice, as autoridades da cidade limparam o bairro, consertaram a estrada que leva até ele e restabeleceram a energia elétrica.

“Marginalizar as pessoas não resolve nada. Quando alimentamos a marginalização, cedo ou tarde a raiva explode. O caminho para uma convivência pacífica é a integração”, defendeu Francisco, depois de ouvir com atenção os depoimentos dos moradores desta região muito pobre.

Neste bairro, Lunik IX, onde a miséria e a superpopulação são males crônicos, 4.500 pessoas se amontoam em um espaço projetado para metade dos habitantes.

Muitas habitações sociais não têm energia elétrica, gás ou água corrente e sofrem cortes com frequência.

“Queridos irmãos e irmãs, muitas vezes vocês foram alvo de preconceitos e julgamentos implacáveis, de estereótipos discriminatórios, de palavras e gestos difamatórios”, lamentou o papa argentino.

Ele recomendou a esta comunidade marginalizada que tome “decisões corajosas” para favorecer o futuro de seus filhos e principalmente sua educação, “para que cresçam bem enraizados em suas origens e, ao mesmo tempo, para que não sejam privados de qualquer outra possibilidade”.

Também os encorajou a “ir além dos medos” por meio do “trabalho honesto, na dignidade de ganhar o pão de cada dia”.

Para Rudolf Mosorov, um morador de Lunik IX de 66 anos, a visita do papa é um “milagre”. “Vai nos trazer a bênção de Deus”, celebrou.

Quase 20% dos ciganos da Eslováquia vive em uma pobreza extrema, em mais de 600 favelas, especialmente no sul e leste deste país da zona do euro de 5,4 milhões de habitantes.

O leste da Eslováquia é uma das áreas com menor PIB per capita da União Europeia.

– “Remar contra a maré” –

O sumo pontífice argentino iniciou sua jornada na cidade de Presov, a 40 quilômetros de Kosice, onde celebrou uma missa segundo o rito bizantino. Cerca de 30.000 fiéis participaram do evento, acenado para Francisco em sua passagem no papamóvel.

Esta é a primeira viagem ao exterior de Francisco, de 84 anos, desde sua cirurgia de cólon no início de julho. Até agora, segue com boa saúde.

“É formidável que o Santo Padre venha a um lugar onde ninguém quer ir”, declarou Peter Besenyei, líder da comunidade salesiana local e responsável pastoral dos ciganos na arquidiocese de Kosice.

“É difícil encontrar professores em Lunik IX, padres que estejam dispostos a trabalhar e o papa vem até este ambiente difícil”, disse à AFP.

Nikola e Rene Harakaly, de 28 e 29 anos, um casal com dois filhos morador deste bairro, conseguiram estudar graças a uma ajuda de uma irmandade de salesianos. Agora, os dois têm um emprego.

“Nossos pais nos ensinaram a remar contra a maré”, explicaram ao papa.

Francisco se reunirá com os jovens em um estádio de Kosice no final do dia.

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