Referendo põe em risco mandato do governador da Califórnia

A Califórnia vai às urnas nesta terça-feira (14) para decidir se destitui o governador democrata do estado mais populoso dos Estados Unidos ou o deixa cumprir os 16 meses de mandato que lhe restam.

Espera-se que Gavin Newson, que arrasou nas eleições de novembro de 2018, sobreviva a este referendo revogatório do seu mandato, sem dar chances a 46 adversários, a maioria republicanos que aspiram a sucedê-lo se for derrotado.

A consulta foi impulsionada por republicanos irritados com as medidas adotadas por Newson contra a covid, como o uso de máscaras e a adoção de restrições.

Muitos californianos optaram por votar pelo correio e têm até a noite desta terça para fazê-lo. Primeiro, devem responder se querem cessar o mandato de Newson e depois, quem deveria substituí-lo.

Para continuar no cargo, Newson precisa obter mais de 50% dos votos. Se não conseguir, o candidato mais votado o substituirá independentemente da quantidade de votos que receber.

Após um começo morno, Newson, um fotogênico ex-prefeito de San Francisco de 53 anos, parece destinado a se salvar. O site de pesquisas fivethirtyeight.com previu nesta terça-feira que ele terá 53,7% dos votos e, portanto, continuará no cargo.

O próprio presidente democrata, Joe Biden, viajou na segunda-feira para a Califórnia para expressar-lhe seu apoio e advertir os eleitores que se o destituírem, correm o risco de colocar no poder um governador ao estilo de Donald Trump.

“Ou mantêm Gavin Newson como governador ou instalam um Donald Trump”, disse Biden durante um ato em Long Beach.

“Votar pelo não (à destituição) será proteger a Califórnia de Trump. A opção deveria ser muito clara”, acrescentou.

Newson também mencionou o ex-presidente republicano, uma figura detestada na Califórnia, onde a quantidade de democratas registrados corresponde ao dobro dos republicanos.

“Na Califórnia, o trumpismo ainda na eleição”, disse.

Seu principal desafiante é Larry Elder, um comentarista político de direita de 69 anos, que apoiou Trump abertamente.

Elder encabeça um leque variado de aspirantes, que inclui um assessor de cannabis, um ex-prefeito de San Diego e a estrela de TV Caitlyn Jenner.

Outro concorrente é John Cox, que foi candidato republicano ao governo da Califórnia nas eleições de 2018 e amplamente derrotado por Newson.

– Irritação com as restrições –

O referendo teve entre seus principais impulsionadores republicanos irritados com restrições que afastavam as crianças das escolas ou sufocavam milhares de negócios enquanto o coronavírus matava milhares de californianos.

Os democratas dizem que a consulta é uma tentativa dos republicanos de sequestrar o governo do estado e chegar ao poder como não poderiam fazê-lo nas urnas.

Embora Newsom tenha vencido com folga em 2018, as regras eleitorais da Califórnia facilitam a convocação de referendos revogatórios.

Para fazê-lo, deve-se conseguir a assinatura de apenas 12% do número de eleitores na eleição anterior. Neste caso, a quantidade era de 1,5 milhão em um estado de 40 milhões de habitantes.

Este referendo é apenas o segundo da história da Califórnia. O primeiro levou ao governo o ator Arnold Schwarzenegger em 2003.

Schwarzenegger, que acabou ficando no cargo por mais de sete anos, foi o último governador republicano da Califórnia.

A investida para destituir Newson ganhou força após a divulgação de imagens de um jantar em um restaurante, em que ele aparentemente ignorou as próprias normas anticovid, o que fez com que muitos o chamassem de hipócrita.

A presença de Biden em Los Angeles encerrou uma visita à Califórnia para mostrar os prejuízos provocados pelas mudanças climáticas. Tanto a Califórnia quanto estados vizinhos sofrem com uma forte seca que os deixaram vulneráveis a incêndios devastadores.

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