Migrantes protestam no México para exigir trânsito livre aos EUA

Cerca de 200 migrantes, a maioria haitianos, marcharam nesta quarta-feira (15) na cidade de Tapachula, no sul do México, para exigir que as autoridades locais permitam que eles transitem livremente até os Estados Unidos, conforme constatou a AFP.

Os manifestantes caminharam do centro da cidade, que fica no estado de Chiapas, até o Instituto Nacional de Migração (INM), sem que fossem registrados incidentes.

Seu objetivo era exigir celeridade na concessão das autorizações de estadia que lhes permitam seguir caminho rumo ao norte, depois que várias caravanas foram desmobilizadas através da força nos últimos dias.

Ativistas de defesa dos direitos dos migrantes solicitaram um mandado de segurança coletivo à Justiça federal para que eles possam deixar Tapachula, que fica ao lado da fronteira com a Guatemala, onde milhares de pessoas permanecem ilhadas há meses, sem a possibilidade de se deslocarem por território mexicano.

“Hoje (15) entregamos à Justiça federal cinco mandados de segurança de casos urgentes (…) E, hoje mesmo, essas famílias poderão seguir viagem, seja caminhando, em ônibus, o que seja, rumo à fronteira norte”, disse aos jornalistas Luis García, ativista do Centro de Dignificação Humana.

García anunciou que, na próxima segunda-feira, serão apresentados mandados de segurança em favor de 7 mil migrantes para que eles possam sair em caravana até a Cidade do México para exigir uma solução ao presidente Andrés Manuel López Obrador.

“Vamos à Cidade do México de qualquer maneira. Tapachula não é nenhum depósito de lixo”, acrescentou.

Com essa ação, García, junto com Irineo Mujica, da organização Povos Sem Fronteiras, terminaram uma greve de fome de 72 horas para exigir que o governo mexicano libere o trânsito de migrantes e deixe de usar a força contra eles.

O INM, por sua vez, suspendeu das funções dois de seus agentes por maus-tratos a um migrante haitiano em uma das últimas caravanas.

Neste ano de 2021, 147.033 pessoas sem documentos foram detidas pelas autoridades mexicanas, um número três vezes maior em comparação com o mesmo período de 2020, quando foram reportadas 48.398 detenções, segundo o INM.

Os migrantes, que fogem da violência e da pobreza em seus países, tentam chegar ao território dos Estados Unidos para pedir asilo.

Após a chegada do democrata Joe Biden à Casa Branca, o número de migrantes que tentam cruzar ilegalmente a fronteira a partir do México se multiplicou, muitos dos quais são menores de idade.

Para conter a migração ilegal, o governo mexicano tem mais de 27 mil efetivos das Forças Armadas mobilizados nas fronteiras sul e norte.

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