Protesto em El Salvador contra o bitcoin e o ‘autoritarismo’

Milhares de salvadorenhos se reuniram nesta quarta-feira (15) para exigir que o presidente Nayib Bukele respeite a separação de poderes e para se posicionar contra o estabelecimento do bitcoin como moeda legal, no dia em que o país comemora o bicentenário de sua independência.

O dia transcorreu de forma pacífica, mas terminou com um confuso incidente no qual um caixa automático que operava com o “chivo” (carteira eletrônica para operar em bitcoins), lançado pelo governo na semana passada, foi incendiado no Centro Histórico.

Antes do incêndio, os manifestantes escreveram a frase “não ao chivo de Bukele”.

Exibindo faixas com slogans como “Respeito à Constituição”, “Contra a ditadura, resistência e rebelião popular”, “Não ao bitcoin”, manifestantes de diferentes regiões de San Salvador fecharam a praça central Francisco Morazán.

“Saímos às ruas porque estamos em um processo acelerado de autoritarismo, de ditadura”, disse à AFP a juíza Esli Carrillo, de 48 anos, que participava de uma passeata dos operadores de justiça.

Os juízes rejeitam uma lei que o Congresso, dominado pelos aliados de Bukele, aprovou em 31 de agosto para demitir juízes com 60 anos de idade ou 30 de serviço, deixando o judiciário sem um terço de seus magistrados.

Os manifestantes também se opuseram a uma recente interpretação que a Câmara Constitucional do Supremo Tribunal de Justiça fez da Constituição, de permitir a reeleição presidencial imediata de Bukele.

Os magistrados que votaram a favor da reeleição consecutiva do presidente foram nomeados pelo Congresso no dia 1º de maio, após destituir os juízes anteriores.

“A República está em perigo, por isso exigimos respeito pela independência dos poderes e não concordamos com a reeleição presidencial”, comentou Zaira Navas, da ONG de Direitos Humanos Cristosal.

Em outra das passeatas que saíram do parque Cuscatlán, no oeste da capital, manifestaram-se camponeses, operários, militantes de diferentes organizações sindicais e profissionais.

“Marchamos porque não queremos a lei do bitcoin porque ela não nos favorece (…) às vezes sobe, às vezes cai, é muito volátil”, disse Natalia Belloso, 41 anos, que vestia uma camiseta branca com o emblema “Não ao bitcoin”.

“Estamos mandando um recado ao governo de que há cidadãos que não concordam com algumas medidas”, declarou o presidente da Faculdade de Medicina de El Salvador, Milton Brizuela.

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