Crise econômica e política leva analistas a cortarem projeção de alta do Ibovespa em 2021

Crise econômica e política leva analistas a cortarem projeção de alta do Ibovespa em 2021

Um novo relatório do Itaú BBA cortou em pelo menos 20% a projeção de alta no Ibovespa para 2021. Agora, a estimativa é que o índice de ações brasileiro feche o ano em 120 mil pontos, contra 152 mil na projeção anterior.

De acordo com o relatório, intitulado A tempestade perfeita – ajustando o nosso portfólio de compra em Brasil, dois fatores contribuíram para a revisão negativa dos números. O primeiro foi a inflação, cujas projeções indicam o estouro do teto da meta do governo. Em segundo lugar vem a taxa Selic, que deve fechar o ano acima de 7%.

Com juros e inflação mais altos, a atividade econômica tende a diminuir e impactar negativamente o desempenho das empresas. Esse impacto, por sua vez, pode afetar negativamente o preço das ações e impedir novas altas no Ibovespa.

Apesar do corte, a nova estimativa representa uma alta de 4,16% em relação ao patamar atual. No entanto, o Ibovespa ainda ficará longe da máxima histórica de 130.776,27 pontos registrada em junho.

Desempenho do Ibovespa em 2021. Fonte: TradingView.

Risco fiscal e crise hídrica

Há também outros fatores de risco que não estão ligados diretamente à economia. O relatório cita como exemplos o risco fiscal, que segue em alta.

Dada a dificuldade em reconciliar o teto de gastos com gastos dos precatórios, e a pressão para expandir o Bolsa Família em ano pré-eleitoral, o governo terá dificuldades para fechar suas contas. O cenário hídrico, escreve o Itaú BBA, deve pressionar as tarifas de energia, que já estão com novos aumentos.

Segundo os analistas Marcelo Sas e Matheus Marques, que assinam o relatório, o momento é de cautela e evitar riscos. Nesse sentido, o Itaú BBA reformulou sua portfólio de ações, retirando empresas de crescimento e adicionando papéis considerados mais defensivos.

Assim, o banco excluiu Bradesco (BBDC4), Magazine Luiza (MGLU3) e Méliuz (CASH3). No lugar delas entraram as ações da Energisa (ENGI11), Eneva (ENEV3) e WEG (WEGE3).

“Nossa carteira recomendada de Brasil estava apostando em uma forte recuperação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e que o Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) demoraria mais para iniciar o ciclo de alta [de juros]. Ficamos mais negativos sobre a perspectiva macro do Brasil e agora estamos ajustando nosso portfólio”, justificam os analistas.

No momento da escrita deste texto, o Ibovespa opera em baixa de 0,89% aos 115.146,32 pontos.

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