Presidente e chanceler cubanos recebem o arcebispo de Boston

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, recebeu nesta quinta-feira (9) no Palácio da Revolução de Havana o cardeal Sean O’Malley, arcebispo de Boston, no que parece ser um novo capítulo do papel conciliador da Igreja Católica entre Cuba e os Estados Unidos.

O’Malley viajou a Cuba a convite da Conferência Episcopal local e do arcebispo de Santiago de Cuba e durante sua estadia “foi acolhido com hospitalidade e respeito”, segundo um comunicado oficial.

O cardeal visitou locais associados à atividade da Igreja e outros de interesse, como o Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia, onde recebeu informação sobre as vacinas cubanas contra a covid-19.

Pela manhã, foi recebido pelo chanceler Bruno Rodríguez.

“Mantive uma troca cordial” com o cardeal e “agradeci os pronunciamentos da Conferência de Bispos Católicos dos EUA a favor da melhoria das relações bilaterais com Cuba”, escreveu Rodríguez em sua conta no Twitter.

Nas duas entrevistas, o cardeal esteve acompanhado do núncio apostólico Giampiero Gloder.

O’Malley viajou a Cuba por ocasião nesta quarta do Dia da Nossa Senhora da Caridade, patrona nacional, e celebrou uma missa no santuário nacional de El Cobre, em Santiago de Cuba, 900 km a leste de Havana.

“É uma imensa alegria poder acompanhá-los hoje nessa festa tão especial”, disse o cardeal em sua homilia. “Queria fazer chegar a vocês uma saudação muito carinhosa do nosso Santo Padre, o papa Francisco”.

– Mediadores –

O cardeal visitou várias vezes Cuba e acompanhou o papa em sua visita apostólica à ilha em setembro de 2015.

A Igreja Católica e o papa Francisco, em particular, foram mediadores do processo de aproximação entre os Estados Unidos e Cuba, que terminou com o restabelecimento de relações em 2015.

Em agradecimento a este trabalho, os então presidentes Barack Obama e Raúl Castro decidiram fazer pública a aproximação em 17 de dezembro de 2014, no dia do aniversário de Francisco.

O’Malley, um capuchinho de 77 anos, faz parte da equipe que assessora o pontífice.

O dia da patrona nacional, a quem os cubanos chamam carinhosamente de “Cachita”, foi marcado pela pandemia este ano, mas também por mensagens presidenciais e do papa.

“Hoje quero apresentar novamente aos pés da Virgem da Caridade do Cobre a vida, os sonhos, as esperanças e as dores do povo de Cuba. Que onde quer que haja um cubano, experimente a ternura de Maria e que Ela conduza todos a Cristo, o Salvador”, disse Francisco no Vaticano.

Miguel Díaz-Canel agradeceu ao papa por “seus bons votos aos cubanos”. “Contamos com todos os que amam Cuba para sair da situação difícil que atravessamos com a pandemia da covid-19 e o recrudescimento do bloqueio” dos Estados Unidos.

Em mensagem reproduzida na mídia anti-Castro, Joe Biden, um católico praticante, também lembrou da data: “Nos unimos a quem reza e prestamos devoção à Patrona do povo cubano e reafirmamos o nosso compromisso com a democracia na ilha”.

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