Projeto de lei homenageia pesquisador José Martin Suárez em denominação de sítio paleontológico em Presidente Prudente

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Trabalho mais significativo do professor Pepe foi a descoberta de um jazigo de tartarugas, onde identificou uma espécie ainda desconhecida, que descreveu e batizou, a Podocnemis elegans. Pesquisador José Martin Suárez, conhecido popularmente como ‘Pepe’
Altino Correia/Cedida
Um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal de Presidente Prudente (SP) propõe uma homenagem ao pesquisador José Martin Suárez, conhecido popularmente como “Pepe”, para dar nome ao sítio paleontológico da cidade localizado no Parque dos Girassóis.
O projeto, de autoria do vereador José Geraldo de Souza (PTB), está na pauta da sessão ordinária prevista para esta terça-feira (8), a partir das 14h, com votação em discussão única.
De acordo com os dados biográficos apresentados no projeto de lei, José Martin Suárez nasceu em Sevilha, na Espanha, e veio para o Brasil em 1953.
Em 1962, ingressou no curso de geografia e, em 1973, defendeu a tese de doutoramento em ciências (geologia) na então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Presidente Prudente – atual campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) –, com o trabalho “Contribuição à Geologia do Extremo Oeste do Estado de São Paulo”.
Era um autodidata e trabalhou com geologia e paleontologia na região de Presidente Prudente, onde encontrou muitos fósseis pré-históricos de diferentes espécies. Dedicava muitos de seus fins de semana a percorrer a região para observar detalhes da geologia.
Quando ainda estava ativado o Ramal de Dourados, da antiga Ferrovias Paulista S. A. (Fepasa), Pepe se utilizava frequentemente do carro de manutenção da estrada de ferro e seguia, através dos trilhos, observando os barrancos. Foi assim que encontrou o “cemitério de tartarugas”, certamente sua descoberta mais importante pela riqueza do material paleontológico, que colocou a região de Presidente Prudente na literatura internacional sobre fósseis.
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Trabalhou com pesquisadores e equipes do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da Unesp, do Museu Zoológico da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Nacional da Patagônia, da Argentina.
O trabalho mais significativo foi a descoberta de um jazigo de tartarugas em Pirapozinho (SP), onde identificou uma espécie ainda desconhecida, que descreveu e batizou, a Podocnemis elegans, em 1969. Nesse sítio paleontológico, também existem crocodilos e dinossauros, peixes, crustáceos (ostracódeos) e ainda restos de vegetais (carófitas).
Outros trabalhos que merecem destaque foram o encontro de fósseis de dinossauros e de preguiças gigantes, em Álvares Machado (SP), com o pesquisador Fausto Luiz Souza Cunha; a descoberta de uma espécie desconhecida de crocodilo – Stratiotosuchus maxhechti –, descrita e batizada por Diógenes de Almeida Campos, José Martin Suarez, Douglas Riff e Alexandre Kellner, em 2001, em Irapuru; e os ostracódeos, que são microfósseis, achados em Presidente Prudente e que resultaram em publicação sobre o tema.
Sítio paleontológico de Presidente Prudente fica no Parque dos Girassóis
Willian Roberto Nava/Arquivo Pessoal
Em 2011, foi homenageado pela equipe do Museu Nacional do Rio de Janeiro (RJ) e seu nome foi dado a uma nova espécie de crocodilo (Pepesuchus deisae), que viveu há cerca de 70 milhões de anos e cujo fóssil tinha sido encontrado por ele.
Pepe foi professor da Unesp, em Presidente Prudente, durante 41 anos, dos quais oito como voluntário, depois que se aposentou. Foi responsável pelas disciplinas de geologia, para o curso de geografia, e geologia ambiental, na pós-graduação em geografia.
Em 1983, passou a fazer parte de uma equipe de pesquisadores, coordenada pela professora Ruth Kunzli e que trabalhava com material arqueológico de grupos indígenas que habitaram a região. Colaborava com a análise e a descrição geológica dos sítios arqueológicos. Como aprendeu a identificar os artefatos indígenas feitos, por exemplo, de pedra lascada e de cerâmica, quando estava fazendo seus trabalhos de campo de geologia e de paleontologia e identificava algum material, já avisava a equipe. Com isso, participou de vários trabalhos de arqueologia também.
Publicou vários trabalhos em revistas nacionais e no exterior e seus achados em paleontologia deram origem a muitos outros, tanto de autores brasileiros como de estrangeiros.
Pepe faleceu no dia 16 de maio de 2007, devido a complicações cardiovasculares, deixando a esposa Antonia, cinco filhos e seis netos.
Sítio paleontológico de Presidente Prudente fica no Parque dos Girassóis
Stephanie Fonseca/site
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Com Agências

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